Junto ao rio eu penso....

'Como é possível sermos tão diferentes e ao mesmo tempo sermos tão iguais?'

Vejo as folhas que caiem em tempo de Outono...
    Caiem à água
    e deslizam...
    e deixam que a sua alma fique,
             que a sua alma se materialize.

Tantas cores,
tantas formas...
No entanto, que seres tão iguais...

O vento passa e leva consigo o meu ser.

  Leva-me a ver barreiras,
          a ver muralhas...
  Leva-me pelo rio
               e deixa-me a sorrir.

São as memórias das folhas.
 São as memórias do que quero agarrar.
  São simplesmente graças brancas,
        banhadas pelo azul do sol reflectido na água.

Ainda assim,
     junto ao rio eu penso, escrevo e leio
       a memória que traz o vento das pequenas coisas que guardo agora
          para depois voltar a pensar, a escrever e a sentir no vento...
 Com o olhar me despeço
Com  olhar digo que gosto
Com  olhar, mesmo sem ver,
               digo tudo o que um beijo diz
                                        sem realmente beijar.

Ainda que nao haja toque;
Ainda que o arrependimento surja a cada segundo...

                    Sem saber dói.
                    Sem doer, faz sentir....
                    E mesmo sem sentir,
                            faz olhar
                                e dizer
                               e tocar,

                    até realmente beijar.


                                                             Ana [Ago.10]